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Mão robótica inspirada em A Família Addams anda sozinha

Se você sempre imaginou como seria encontrar a Mãozinha de A Família Addams andando por aí sem o resto do corpo, pesquisadores da ETH Zurique chegaram bem perto de responder. Um grupo do laboratório de Soft Robotics desenvolveu uma mão robótica capaz de se locomover usando os próprios dedos como pernas, rastejando por diferentes superfícies de uma maneira que é ao mesmo tempo impressionante e um tanto perturbadora.

A semelhança com a famosa Mãozinha, conhecida em inglês como Thing, não passou despercebida nem pelos próprios pesquisadores. Amir Kazemipour, doutorando do laboratório responsável pelo projeto, admitiu que o personagem serviu de inspiração para o robô. Fã de A Família Addams, ele incorporou a referência a uma pesquisa que, apesar da aparência curiosa, tem objetivos bastante sérios.

A ideia surgiu a partir de trabalhos anteriores com mãos robóticas desenvolvidas para manipular objetos. A equipe decidiu investigar se uma estrutura criada para agarrar e movimentar coisas também poderia ser capaz de se deslocar sozinha. O desafio, porém, era maior do que simplesmente programar cinco dedos para caminhar.

Uma mão humana possui dedos de comprimentos diferentes, além do polegar deslocado em relação aos demais. Quando um desses dedos se movimenta, ele também altera o equilíbrio de toda a estrutura. Isso significa que cada passo do robô precisa resolver não apenas um problema de locomoção, mas também de estabilidade.

Para fazer isso, os pesquisadores combinaram testes realizados com uma mão real, simulações e técnicas de aprendizado por reforço. Dessa forma, o sistema conseguiu aprender quais movimentos permitiam que a estrutura avançasse sem perder o equilíbrio.

O resultado parece saído diretamente de um filme de ficção científica. A mão consegue se arrastar por pisos de madeira, carpetes, grama, cascalho e azulejos. Em um dos testes, ela também apareceu atravessando um campo de golfe, usando os dedos para se deslocar pelo gramado.

E ela não fica simplesmente caída quando perde o equilíbrio. Caso tombe, a mão robótica consegue usar os próprios dedos para se empurrar, voltar à posição adequada e continuar andando. Os pesquisadores colocaram o robô em 25 posições consideradas difíceis e ele conseguiu se recuperar de 21 delas.

Por enquanto, o projeto ainda está em fase de pesquisa e seus resultados foram apresentados em um artigo disponibilizado como preprint, ou seja, ainda sem passar pelo processo de revisão por pares. Mesmo assim, o experimento aponta para uma possibilidade interessante no desenvolvimento de robôs modulares.

A ideia é que uma mão como essa não precise permanecer permanentemente presa a um robô maior. Ela poderia funcionar como um módulo independente e, quando necessário, se desprender de uma estrutura principal para explorar locais onde o robô completo teria dificuldade de entrar.

Em uma situação de busca e salvamento, por exemplo, um pequeno robô capaz de caminhar de forma independente poderia entrar em espaços estreitos, percorrer áreas destruídas ou alcançar pontos difíceis durante uma operação. Depois, poderia retornar e voltar a integrar o sistema maior.

Essa abordagem faz parte de uma tendência crescente na robótica: criar máquinas formadas por componentes especializados que também sejam capazes de realizar determinadas tarefas por conta própria. Em vez de depender de um robô gigantesco para executar todas as funções, diferentes módulos poderiam assumir missões específicas conforme a situação.

Curiosamente, outro grupo de pesquisadores suíços apresentou recentemente uma mão robótica com capacidade semelhante. O projeto também lembra bastante a Mãozinha de A Família Addams, embora seus criadores tenham apontado a natureza como principal fonte de inspiração.

No caso da ETH Zurique, porém, a referência à família mais estranha da cultura pop parece ter sido assumida sem grandes cerimônias. Afinal, se existe uma personagem fictícia perfeita para inspirar uma mão que anda sozinha, provavelmente é difícil encontrar uma opção mais óbvia do que a própria Mãozinha.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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