Hoje, quando pensamos em placas de vídeo para jogos, nomes como NVIDIA, AMD e Intel dominam o mercado. Mas em 1996, até uma desenvolvedora de jogos decidiu entrar nessa disputa.
A Sierra On Line, conhecida por séries como King’s Quest, Space Quest e Leisure Suit Larry, lançou a Screamin’ 3D, uma placa aceleradora criada para melhorar os gráficos dos jogos para PC.
O curioso é que ela acabou sendo a única placa de vídeo comercializada pela empresa em toda a sua história.

A placa custava US$ 199
A Screamin’ 3D chegou às lojas em novembro de 1996, com preço sugerido de US$ 199.
Na época, as placas aceleradoras 3D ainda estavam começando a transformar o mercado de jogos para computador. Tecnologias como Direct3D eram novas e diferentes fabricantes tentavam conquistar desenvolvedores com suas próprias soluções.
A Sierra apostou em um dos chips mais interessantes daquele período, o Rendition Vérité V1000.

O V1000 era diferente das placas da época
O Vérité V1000 tinha uma característica incomum. Seu núcleo podia ser programado para executar operações relacionadas à renderização 3D.
O chip também reunia recursos de vídeo 2D e 3D na mesma placa. Isso significava que o usuário poderia substituir sua placa gráfica convencional por uma única solução, algo que nem sempre acontecia com as primeiras aceleradoras 3D.
A Screamin’ 3D vinha com 4 MB de memória EDO, interface PCI e suporte ao Direct3D. O V1000 utilizava um barramento de memória de 64 bits.

Quake foi um dos grandes chamarizes
A Sierra queria mostrar que a nova placa tinha utilidade prática para os jogadores.
Por isso, a Screamin’ 3D era vendida acompanhada de IndyCar II, CyberGladiators e Silent Thunder: A 10 Tank Killer II, além de uma versão de demonstração de Quake desenvolvida especificamente para o acelerador.
A versão acelerada de Quake era especialmente importante. Naquele momento, o jogo da id Software se tornou uma das principais vitrines para demonstrar o potencial das novas placas 3D.
A versão para Vérité surgiu antes mesmo das primeiras versões aceleradas por OpenGL de Quake, colocando a tecnologia da Rendition em uma posição de destaque por algum tempo.
Sierra tentou melhorar o desempenho
O V1000 tinha um problema conhecido. Seu desempenho em gráficos 2D não era tão impressionante quanto sua capacidade 3D.
Para tentar resolver isso, a Sierra trabalhou com a Canopus, empresa japonesa responsável pela fabricação da placa, para desenvolver drivers otimizados.
Material publicado pela própria Sierra na época afirmava que a Screamin’ 3D poderia alcançar desempenho 2D até 30% superior ao de outras placas baseadas no mesmo chipset.
A disputa com a 3Dfx era pesada
A Sierra entrou em um mercado que estava mudando rapidamente.
No mesmo período, a 3Dfx Voodoo Graphics começava a ganhar espaço entre os jogadores. A proposta era diferente. A Voodoo era dedicada principalmente à aceleração 3D e normalmente trabalhava em conjunto com uma placa 2D já instalada no computador.
O V1000, por outro lado, tentava reunir as duas funções em uma única placa.
A tecnologia da 3Dfx acabou ganhando enorme força entre os jogadores e se tornou uma das marcas mais importantes da primeira geração de aceleradores 3D para PC.
Uma experiência que durou pouco
A Screamin’ 3D mostra uma época em que o mercado de placas gráficas ainda estava sendo formado.
Fabricantes de chips, empresas de software e desenvolvedores de jogos disputavam espaço e tentavam definir quais tecnologias seriam adotadas. A própria Sierra enxergava as aceleradoras 3D como uma parte importante do futuro dos seus jogos.
Apesar disso, a Screamin’ 3D permaneceu como uma experiência isolada. A Sierra nunca voltou a vender outra placa de vídeo.
Hoje, o modelo é lembrado principalmente por colecionadores de hardware antigo e por representar um momento curioso da história dos videogames para PC, quando uma das maiores desenvolvedoras de jogos da época decidiu tentar fabricar o equipamento necessário para rodá los.
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