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Ratatan: o ritmo de Patapon renasce em uma aventura musical viciante

Se você fechou os olhos em 2008 e ainda escuta um “pata, pata, patapon” ecoando por aí, saiba que o compasso voltou. Ratatan não é uma continuação direta, mas carrega a alma do clássico do PSP e a transforma em um roguelike de ação rítmica colorido, caótico e difícil de largar.

Desenvolvido pela Ratata Arts, estúdio fundado por Hiroyuki Kotani, um dos nomes por trás de Patapon, o jogo chegou à nova geração e, diferente das remasterizações que mantiveram a fórmula original praticamente intacta, aqui temos uma releitura moderna da ideia com mais liberdade, mais construção de personagem e uma estrutura de runs que convida você a “só mais uma tentativa” com uma frequência perigosa.

Pata, pata, Ratatan

A história de Ratatan começa antes do jogo, com o fim da Japan Studio pela Sony em 2021. Kotani e outros veteranos responsáveis por Patapon seguiram em frente e levantaram o projeto por meio de financiamento coletivo, transformando a saudade dos fãs em um novo universo.

Ratatan

O resultado é um game que reconhece sua origem sem ficar preso a ela. A premissa é simples e os Ratatans partem em busca do lendário “Além”, um lugar que existe mais na imaginação dos exploradores do que em mapas concretos. Não há um vilão cósmico tentando apagar a existência, nem uma profecia grandiosa; há uma jornada, uma trilha sonora e muitos inimigos entre você e o próximo passo.

Essa leveza é parte do charme. Ratatan entende que nem todo jogo precisa de um enredo denso para criar identidade. O mundo desenhado à mão, os personagens fofos e a trilha que se expande conforme a batalha avança fazem o trabalho de dar personalidade à aventura.

Ratatan

No centro de tudo está a mecânica que fez Patapon inesquecível, você comanda seu exército por meio de sequências rítmicas. A diferença é que agora o líder se move livremente pelo cenário, enquanto os Cobuns respondem aos comandos para avançar, atacar, pular, recuar ou se defender.

Parece simples, mas a mágica está em manter o compasso enquanto a tela vira uma festa de golpes, explosões, projéteis e criaturas minúsculas fazendo coisas absurdas. Perder o ritmo significa perder o momento, e manter uma sequência perfeita ativa o Fever, aumentando o dano do grupo e deixando a apresentação ainda mais empolgante.

Ratatan

O jogo exige atenção em várias frentes ao mesmo tempo, pois você precisa acompanhar o ritmo, posicionar o líder, observar os inimigos e garantir que seus soldados não virem enfeite no meio do combate. Quando tudo se encaixa, a sensação é excelente. Quando o caos toma conta, ainda é divertido e só um pouco mais bagunçado.

Ritmo no controle e caos na tela

Ratatan oferece oito protagonistas jogáveis, cada um com visual, timbre, atributos e estilo de combate próprios. Não é apenas uma troca de skin: alguns têm mais vida, outros apostam em velocidade, e as habilidades especiais mudam completamente a forma de encarar cada run.

Ratatan

O Kerosapo, por exemplo, trabalha bem com explosivos e conta com um exército de girinos preparado para diferentes funções. Já o Coelito aposta em agilidade e notas musicais explosivas, com tropas que se encaixam nesse perfil mais ofensivo.

Cada Ratatan começa acompanhado por três Cobuns, mas a equipe pode crescer bastante ao longo da progressão. Durante as partidas, é possível chegar a 15 companheiros, embora parte deles seja temporária. A personalização também é generosa, com armas, acessórios, atributos e equipamentos mudam o comportamento do grupo e garantem que nenhuma formação pareça exatamente igual à anterior.

Ratatan

A estrutura roguelike poderia ter sido apenas um pretexto para prolongar a experiência, mas Ratatan usa bem esse formato. Antes de seguir para uma nova área, você escolhe o caminho: tesouros, recuperação, lojas, minichefes ou recompensas específicas.

As habilidades temporárias trazem elementos como fogo, gelo, eletricidade, vento e veneno, enquanto cartas passivas e poderes ativos mudam a estratégia a cada jornada. Morrer devolve você ao início, mas os itens coletados permanecem, criando aquele ciclo viciante de “perdi, mas pelo menos evoluí”.

Ratatan

Entre as runs, o Rataport funciona como base de operações. Ali, é possível fabricar equipamentos, melhorar atributos, cumprir missões, trocar recursos e montar predefinições de exército. É uma camada de gestão que pode parecer extensa no começo, mas ajuda a dar sentido à progressão e mantém o jogador sempre com algum objetivo pela frente.

Coop online e zero silêncio

Uma das grandes novidades é o cooperativo online para até quatro jogadores. Como cada participante controla um Ratatan e seu próprio grupo de Cobuns, as batalhas ficam ainda mais cheias e mais caóticas.

Ratatan

Na prática, você não apenas cuida do próprio ritmo, pois líderes abatidos precisam ser ressuscitados, e isso vale tanto para NPCs quanto para jogadores conectados. É mais uma responsabilidade em meio à batida, mas também é o tipo de confusão que rende risadas quando tudo dá certo.

A ausência de multiplayer local é uma pena, principalmente porque o visual festivo e a natureza musical do jogo parecem feitos para uma tela dividida. Ainda assim, o modo online acrescenta bastante valor à experiência.

Ratatan

Nem tudo é perfeito e existem pequenos problemas de polimento, como travadas breves em transições de cenário, além de ocasionais desencontros entre o comportamento dos inimigos e o ritmo da partida. Nada disso quebra a diversão, mas são ajustes que deixariam a experiência ainda mais redonda.

A repetição, inerente ao gênero, aparece eventualmente, porém a variedade de personagens, armas, habilidades e caminhos ajuda a manter o interesse por muito mais tempo do que o esperado.

Ratatan

Ratatan é mais do que nostalgia embalada em pixels coloridos. É um jogo que resgata uma ideia brilhante, a respeita e a expande com roguelike, personalização, ação mais direta e um multiplayer que transforma cada batalha em uma pequena orquestra fora de controle.

Para quem cresceu com Patapon, é praticamente impossível não sorrir nos primeiros minutos. Para quem nunca jogou a série original, é uma porta de entrada excelente para um gênero raro, criativo e absurdamente cativante. Ratatan merece ser jogado no volume máximo e de preferência com o compasso grudado na cabeça por dias.

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Nota final: 5/5


























Avaliação: 4 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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