Aplicativos utilizados para alertar a população sobre ataques militares e situações de emergência foram alvo de ataques cibernéticos na Ucrânia e na Rússia. Durante os incidentes, usuários receberam notificações falsas sobre ameaças químicas, radiação e até lançamentos de armas nucleares.
Os ataques aconteceram entre a noite de 1º de novembro e a madrugada de 2 de novembro de 2026. O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que seu país realizou um ataque contra o aplicativo russo como resposta à invasão inicial.
Aplicativo da Ucrânia recebeu falsos alertas nucleares
O primeiro incidente atingiu o Air Alert, aplicativo utilizado por milhões de ucranianos para receber notificações sobre ataques de mísseis, drones e outras emergências.
Na noite de domingo, usuários começaram a receber mensagens falsas sobre perigos radiológicos, possíveis ataques químicos e até confrontos nas ruas de Kiev.
Uma das notificações, escrita em russo, anunciava uma suposta ameaça nuclear em todo o território ucraniano e mencionava o míssil russo Oreshnik, que possui capacidade de transportar ogivas nucleares.
A Força Aérea da Ucrânia rapidamente desmentiu os alertas e afirmou que não existia ameaça radiológica. Os responsáveis pelo aplicativo também confirmaram uma interferência não autorizada em sua operação.
Segundo os desenvolvedores, os invasores conseguiram acessar a interface utilizada pelos operadores para administrar os alertas. O serviço foi temporariamente suspenso, incluindo as notificações por push, enquanto a equipe trabalhava para corrigir o problema.
O funcionamento começou a ser restabelecido algumas horas depois. Os responsáveis também esclareceram que o aplicativo não armazena dados pessoais dos usuários e que não havia evidências de invasão dos celulares ou contas dos cidadãos.
Aplicativo russo também foi invadido
Poucas horas depois, o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência da Rússia também sofreu um ataque cibernético.
A invasão aconteceu por volta das 2h45 da madrugada de segunda-feira, no horário de Moscou. Segundo o próprio ministério, mensagens falsas foram distribuídas em 33 regiões do país.
As notificações afirmavam que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas. Os textos também recomendavam que os moradores armazenassem alimentos suficientes para três semanas e procurassem abrigo em porões.
O governo russo confirmou que os invasores conseguiram acessar o painel administrativo do aplicativo. Uma vulnerabilidade explorada durante o ataque foi identificada, e medidas foram iniciadas para impedir novos incidentes.
O ministério também ressaltou que seus principais sistemas de comunicação continuavam funcionando normalmente.
Zelensky confirma ataque retaliatório contra a Rússia
O episódio ganhou um novo capítulo quando Volodymyr Zelensky concedeu uma entrevista ao programa PBS NewsHour, em 2 de novembro.
Questionado diretamente sobre a possibilidade de a Ucrânia ter invadido o aplicativo russo em resposta ao ataque sofrido, o presidente confirmou a operação.
Zelensky afirmou que a Rússia havia atacado primeiro o sistema ucraniano e que seu governo decidiu responder depois de identificar que a ofensiva atingia serviços utilizados pela população civil.
Ao ser questionado se a resposta havia ficado limitada ao aplicativo russo de emergências, o presidente respondeu afirmativamente.
Apesar da confirmação, ele não apresentou detalhes técnicos sobre como a operação foi realizada.
Sistemas de emergência não foram comprometidos por completo
Apesar da gravidade dos episódios, é importante diferenciar os aplicativos móveis dos sistemas nacionais de alerta.
Na Rússia, o próprio Ministério de Situações de Emergência afirmou que a invasão não afetou os mecanismos principais de comunicação com a população. Sirenes, alto falantes, mensagens SMS, televisão e rádio continuaram funcionando.
Na Ucrânia, as autoridades também informaram que a infraestrutura nacional de alertas permanecia operacional.
Os dois incidentes mostram como aplicativos utilizados em situações de guerra podem se tornar alvos de operações cibernéticas. Além de comprometer a confiança da população, mensagens falsas sobre ataques nucleares e ameaças químicas podem provocar confusão em momentos de grande tensão.
O episódio também evidencia que a segurança digital de serviços públicos precisa ir além da proteção de dados. Em determinadas situações, a confiabilidade de uma simples notificação pode fazer diferença para a segurança de milhões de pessoas.
Fontes
Comunicado dos desenvolvedores
Detalhes do incidente no canal oficial
Comunicado oficial de 2 de novembro de 2026




