Muito antes de dominarem sofás, telas de celular e memes na internet, os gatos já chamavam atenção como figuras dignas de fascínio. Em 1835, por exemplo, um gato tartaruga com mais de um metro de comprimento virou atração em Londres, a ponto de render um anúncio em jornal prometendo ao público “a maior curiosidade já exibida”. Bastava ir até a Ship Tavern e, provavelmente com uma cerveja como ingresso informal, conferir o animal extraordinário.

Foi principalmente entre os séculos 18 e 19, na Europa, que os gatos começaram a ser vistos como algo além de simples caçadores de ratos. Ainda hoje, inclusive, não é raro que cervejarias e destilarias “contratem” um ou dois felinos para proteger os grãos dos roedores. Mas a relação da humanidade com esses animais é muito mais antiga e simbólica. Dos espíritos kaibyō do folclore japonês ao status quase divino que tiveram no Egito Antigo, os gatos deixaram marcas profundas na mitologia, na história e no cotidiano humano.

É exatamente esse legado que o livro Cat, da editora Phaidon, se propõe a explorar. A obra reúne representações felinas que atravessam séculos e estilos, passando por manuscritos iluminados da Idade Média, gravuras clássicas, fotografias antigas, arte contemporânea, ilustrações digitais e até memes da era da internet. O resultado é um panorama amplo e divertido que mostra como a personalidade expressiva, e muitas vezes cômica dos gatos permanece facilmente reconhecível, não importa a época ou o meio artístico.








Entre os destaques estão trabalhos de artistas como Xuan Loc Xuan, Lee Sangsoo e o mestre japonês Utagawa Hiroshige, que ajudam a compor um retrato multifacetado desses animais tão misteriosos quanto carismáticos. O livro passeia por diferentes culturas e períodos históricos, reforçando como os gatos sempre foram musas perfeitas para a criatividade humana.
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