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Diretor de Piratas do Caribe revela como seu filme de BioShock usaria os dois finais e mexeria com a cabeça do público

O filme de BioShock quase saiu do papel pelas mãos de Gore Verbinski, diretor de Piratas do Caribe, e a ideia era tão ousada que hoje parece até difícil imaginar um estúdio aprovando. Em um Reddit AMA recente, feito enquanto divulgava seu novo longa Good Luck, Have Fun, Don’t Die, o cineasta contou que sua versão de BioShock teria classificação adulta, abraçaria o lado mais pesado do jogo e ainda traria um truque narrativo para usar os dois finais do original.

Um BioShock “Hard R” e sem suavizar as escolhas do jogo

Verbinski deixou claro que queria um filme com pegada forte, fiel ao núcleo moral de BioShock. Isso inclui as Little Sisters, a atmosfera desconfortável de Rapture e o tipo de decisão que faz o jogador se sentir culpado, mesmo quando acha que está escolhendo “o melhor caminho”.

Essa abordagem não é tão surpreendente para quem conhece o diretor. Verbinski sempre gostou de colocar o público em situações estranhas, com humor ácido e desconforto calculado, e BioShock seria um prato cheio para isso.

A ideia mais maluca: colocar os dois finais no mesmo filme

O ponto que mais chamou atenção foi a revelação de que ele e o roteirista John Logan já tinham encontrado um jeito de inserir os dois finais do game em uma única história. BioShock é lembrado justamente pelo desfecho que muda dependendo do que você faz com as Little Sisters, algo que normalmente seria reduzido a um único “final oficial” em uma adaptação de cinema. Verbinski queria o contrário. Ele disse que estava animado para levar isso para a tela grande e bagunçar a cabeça do público.

Na prática, ele não explicou o mecanismo em detalhes, mas a intenção era manter o impacto da escolha, só que de um jeito que funcionasse em uma narrativa linear.

Por que esse BioShock nunca aconteceu

O projeto foi anunciado lá em 2008 com a Universal, logo depois do auge comercial de Piratas do Caribe. Só que a adaptação enfrentou problemas de escala e custo, ainda mais com a ambição visual de Verbinski. Há relatos de que o diretor queria construir elementos práticos enormes para o set, algo coerente com o estilo dele de priorizar efeitos reais sempre que possível. Com o tempo, o filme saiu das mãos dele e acabou esfriando de vez.

O que fica é a sensação de “quase”. Verbinski comentou que tinha designs fortes para os Big Daddies e para a estética art déco deformada de Rapture, mas também admitiu que poucos estúdios parecem dispostos a ir onde ele queria ir.

E o BioShock da Netflix? Ainda está vivo, mas segue sem data

Enquanto a versão de Verbinski virou lenda, a adaptação atual continua em desenvolvimento na Netflix, anunciada em 2022 e com Francis Lawrence ligado à direção. Nos últimos meses, o produtor Roy Lee confirmou que o filme será baseado diretamente no primeiro BioShock, o jogo de 2007, e que o roteiro ainda está sendo trabalhado.

Também surgiram informações de bastidores indicando que o projeto passou por ajustes de orçamento e que a Netflix estaria mirando uma versão menor do que se imaginava no anúncio inicial.

Por que BioShock é tão difícil de adaptar

BioShock não é só cenário bonito e monstros no corredor. O jogo funciona porque te coloca no centro da manipulação, do livre arbítrio e das escolhas morais, com aquele tipo de reviravolta que conversa diretamente com o fato de você estar segurando o controle. Quando você tira a interatividade, precisa compensar com linguagem de cinema, estrutura e ponto de vista muito bem amarrados.

Talvez por isso a ideia de Verbinski de usar os dois finais chame tanta atenção. Ela tenta levar para o filme justamente o que o jogo tem de mais incômodo, a sensação de que toda escolha tem peso e que o mundo de Rapture não te deixa sair limpo.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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