A experiência do professor Wesley Bernardo, que usava o jogo Assassin’s Creed Syndicate para ensinar História, virou símbolo de um embate cada vez mais comum entre inovação pedagógica e burocracia. A iniciativa ganhou projeção nacional e internacional ao mostrar a Revolução Industrial de forma imersiva, usando cenários do jogo ambientados na Londres de 1868, e chamou atenção até da própria Ubisoft, que elogiou publicamente o método.
Apesar da repercussão positiva e do engajamento dos alunos, Wesley recebeu uma orientação administrativa ligada à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Segundo relatos publicados pela imprensa, o argumento apresentado foi de que os conteúdos gravados e divulgados nas redes sociais não seriam compatíveis com as diretrizes do vínculo público, além de questionamentos sobre classificação indicativa dos jogos e gravações em ambiente escolar.
Na prática, o professor foi informado de que deveria apagar os vídeos e interromper o uso do game em sala de aula, sob risco de sanções administrativas, inclusive demissão. Para preservar sua segurança profissional, Wesley removeu as publicações que haviam viralizado e deixado claro como os jogos podiam ajudar a contextualizar temas históricos complexos.
Os vídeos mostravam o jogo sendo usado apenas como recurso visual. Não havia combate ou interação violenta. O foco estava nos ambientes industriais, nas máquinas a vapor, nas condições de trabalho e no contraste social da época, elementos centrais para entender a Revolução Industrial. Especialistas e internautas destacaram que o método ajudava alunos a fixarem o conteúdo de forma mais concreta e participativa.
O episódio gerou reações de educadores, pesquisadores e da comunidade gamer, que enxergaram no caso um retrato das dificuldades enfrentadas por professores que tentam inovar dentro de um sistema educacional rígido. A discussão também esbarrou no uso de tecnologias já reconhecidas internacionalmente como ferramentas pedagógicas, algo comum em debates sobre metodologias ativas.
Após deixar o projeto dentro da escola, Wesley anunciou que pretende seguir com a proposta de forma independente, usando suas próprias redes sociais para continuar ensinando História por meio de games, sem vínculo institucional. Fora das limitações burocráticas, a ideia é ampliar o alcance do conteúdo e explorar ainda mais o potencial educativo dos jogos digitais.
O caso expôs uma pergunta que segue sem resposta clara: até que ponto a burocracia pode frear iniciativas que já demonstraram resultados positivos no aprendizado. Enquanto isso, a discussão sobre inovação na educação brasileira volta ao centro do debate.
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