O Diversão Offline 2026 reafirmou, mais uma vez, sua posição como o maior evento de jogos de tabuleiro e RPG da América Latina. Ao longo de três dias de programação, o DOFF reuniu mais de 150 expositores, ocupou o Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo, e transformou o fim de semana em uma grande vitrine para lançamentos, demonstrações, mesas de jogo, encontros com criadores, editoras, fãs de board games, RPG e miniaturas.

Anunciada como uma edição histórica e com espaço ampliado, a feira conseguiu mostrar com força a dimensão cultural e comercial que os jogos analógicos vêm conquistando no Brasil, entregando um evento completo, divertido e bem organizado.
Um evento maior e mais maduro
Se nas edições anteriores o Diversão Offline já havia consolidado sua importância, em 2026 o evento deu um passo adiante em escala, diversidade e ambição. A programação oficial reforçou essa expansão ao distribuir atrações pensadas para diferentes perfis de público, com áreas como o Feudo Família, a Área de Protótipos Catarse, a Arena RPG e o Distrito do Comércio, proporcionando espaço para artistas independentes. Na prática, isso mostrou que o DOFF vai muito além de uma feira voltada apenas à venda de produtos: trata-se de uma experiência completa para quem joga, cria, pesquisa e acompanha o mercado de jogos de mesa.

A presença de nomes internacionais também ajudou a elevar o peso da edição. Entre os convidados, estiveram Emiliano Sciarra, criador de BANG!, e David Preti, cocriador de Zombicide, dois nomes que reforçam a relevância do evento dentro do cenário global do hobby. Esse tipo de participação mostra como o DOFF se consolidou como ponto de encontro entre mercado, comunidade e criadores, reunindo em um mesmo espaço diferentes gerações e estilos de jogo.

A edição de 2026 também deixou claro o amadurecimento do mercado brasileiro. Em vez de apostar apenas em lançamentos de apelo mais imediato, o evento abriu espaço para RPG, miniaturas, projetos independentes, experiências autorais e iniciativas voltadas à educação. Isso dialoga diretamente com a consolidação de comunidades em torno de editoras, estúdios menores e criadores que vêm ampliando a diversidade do setor. Outro destaque foi a segunda edição do SIMDOFF, simpósio acadêmico voltado à educação e à saúde, evidenciando como o evento começa a expandir sua função para além do entretenimento e a se aproximar de discussões sobre aprendizagem, convivência e uso pedagógico dos jogos.
As editoras em destaque
Entre as editoras e marcas presentes, o DOFF 2026 reuniu tanto nomes de peso quanto projetos independentes, mostrando a força e a variedade do mercado. A asmodee, por exemplo, teve uma participação de destaque com anúncios importantes e lançamentos que chamaram atenção do público. O principal deles foi Batalha dos Deuses, jogo para 3 a 5 jogadores em que divindades disputam fiéis em uma dinâmica de estratégia, humor e competição. Com personagens como Zeus, Odin, Rá e Oxalá, o título combina disputa tática e identidade autoral em um formato que conversa bem com o público de cultura pop e com o estilo irreverente associado ao trabalho de Carlos Ruas.

Além de Batalha dos Deuses, a asmodee também apresentou a versão final de Turma da Mônica: Aventuras no Limoeiro, desenvolvido por Sérgio Halaban e Diego de Moraes. Apesar da ambientação ligada ao universo infantil de Mauricio de Sousa, o jogo foi pensado para o público mais acostumado a mecânicas elaboradas, o que amplia seu alcance para além do apelo nostálgico. Outro destaque foi Zombicide: Dead Men Tales, que ganhou espaço especial após seu financiamento coletivo internacional e pôde ser experimentado em mesas agendadas durante o evento. A editora ainda levou Hot Streak, um jogo de corrida de mascotes com foco em apostas e caos estratégico, que chamou atenção pelo formato diferente e pelo reconhecimento já recebido em análises internacionais.

A Ludofun também marcou presença com um estande bastante movimentado e recheado de novidades. Entre os destaques estavam Deep Regrets, descrito como um jogo de pesca em que o objetivo é lidar com descobertas cada vez mais absurdas no fundo do oceano, Echoes of Time, um jogo estratégico para 2 a 4 jogadores baseado na formação de equipes entre facções, e Fromage, título de colocação de trabalhadores com foco na produção de queijo e coleta de recursos. A editora ainda apresentou a linha Logic Cards, reforçando sua variedade de propostas dentro do evento.

A Mosaico Jogos também apareceu com um catálogo bastante diverso, reunindo títulos como Blablabel, Maestro, Fábula & Fama, Flatiron, Dobrada Histórica: Mistérios da Floresta e Manda Mais Mana, este último em nova reimpressão, acompanhado do baralho de expansão Invocadores e Feiticeiros. Um dos pontos mais aguardados do estande foi a experimentação de Root: O RPG, que chega ao mercado por financiamento coletivo em 2026 e mantém o interesse do público por adaptações narrativas de universos já consagrados nos jogos de mesa.

Mais jogos e mais diversidade
A Jelly Monster apostou em uma seleção variada de títulos para o DOFF, com Rebirth, o recente ganhador do Spiel des Jahres (Jogo do Ano), Pilgrims: Curious Adventures, uma jornada em clima de conto de fadas, Pinched!, jogo de blefe e roubo para até cinco pessoas, e Popcorn, da Iello, em que os jogadores administram cinemas e tentam montar a melhor grade de filmes. A proposta da editora mostrou bem como o evento ajuda a expor o público a experiências diferentes, indo do eurogame mais estratégico a conceitos mais leves e temáticos.

A Across the Board também levou um conjunto robusto de títulos, com Feya’s Swamp, Dorf Romantik Sakura, RatJack, Panda Spin, Naishi e Whispering Woods, além de Recall, um dos nomes mais comentados do catálogo. Com arte de Gjermund Bohne, o jogo se destaca por sua proposta estratégica de construção de motor, exploração e desenvolvimento tribal, com a missão de descobrir vestígios de civilizações antigas e aprender com elas. A editora ainda apresentou In the Footsteps of Darwin e In the Footsteps of Darwin: Correspondence, ampliando sua presença no evento com jogos que unem tema, estética e mecânicas bem trabalhadas.

A Meeple BR apostou em títulos de apelo forte entre fãs de fantasia e cultura pop, com Dragon Eclipse, Dragon Eclipse: Academia de Mystlings – Peare vs Arboro e dois títulos de Unmatched: The Witcher, A Queda dos Reinos e Aço e Prata.

Já a Grok Games levou Protocolo Scintilla, Terra do Sol, Snow Climbing e sua linha de jogos Disney, com destaque para Esconde Esconde Toy Story, reforçando a presença de jogos licenciados no evento.

Também vale destacar a HoiHoi Entretenimento, que fez sua apresentação oficial ao mercado por meio de títulos como OzTopia e Nimbo. Mesmo em uma feira marcada por nomes já consolidados, a presença de novas iniciativas mostrou que o ecossistema de jogos de mesa continua aberto a novidades, especialmente quando elas conseguem dialogar com identidade visual forte e propostas acessíveis para o público.
RPG, protótipos e educação
No campo do RPG, editoras como Old Dragon, RPGpédia e Lorde Tempus reforçaram a importância desse segmento dentro da feira. A presença dessas marcas confirma que o DOFF continua sendo um espaço essencial para comunidades ligadas à fantasia, à narrativa e aos sistemas de interpretação. Em um evento já naturalmente voltado para a diversidade de formatos, o RPG segue como uma das áreas mais fortes em termos de engajamento e fidelidade de público.

O mesmo vale para os projetos nacionais que estiveram no evento com novidades, protótipos e ações especiais. Nomes como Cordilheira Games, Poranduba, Carline Estúdio de Jogos, Loop Gamelab, Quero Quero Jogos e Corvo apareceram com propostas variadas, reforçando a vitalidade da produção brasileira. Houve ainda espaço para iniciativas que cruzam jogos e educação, como os títulos da Dedalus NeuroGames e o projeto Coleta Seletiva, da Carline, mostrando como o evento consegue dialogar com públicos muito distintos sem perder sua identidade geek.
O saldo do DOFF 2026
No balanço final, o Diversão Offline 2026 se mostrou mais robusto, mais plural e mais conectado às transformações do mercado de jogos de mesa no Brasil. A feira reuniu lançamentos, protótipos, RPG, miniaturas, experiências educativas, áreas familiares e a participação de editoras grandes e pequenas, criando um retrato bastante fiel do momento atual do hobby no país. A presença de mais de 150 expositores e a ocupação de um espaço de 14 mil metros quadrados reforçam que o evento já ultrapassou a condição de simples feira de novidades e se firmou como um verdadeiro termômetro do setor.

Para o público, ficou a sensação de um DOFF em plena vitalidade, capaz de unir negócios, experiência e comunidade em um mesmo ambiente. Para o mercado, o evento serviu como palco de consolidação de marcas, anúncios relevantes e testes de aceitação junto ao consumidor final, especialmente em lançamentos como Batalha dos Deuses e nos títulos apresentados pela asmodee e por suas parceiras. Em um cenário em que jogos de tabuleiro, RPG e miniaturas ganham cada vez mais relevância cultural no Brasil, o Diversão Offline segue como a principal vitrine desse movimento.
Um pouco mais sobre o Diversão Offline 2026


















