A missão chinesa Tianwen 2 alcançou um marco importante ao registrar as primeiras imagens em alta proximidade do asteroide Kamoʻoalewa, um dos objetos mais incomuns da vizinhança da Terra. O pequeno corpo celeste, frequentemente chamado de “quase lua” da Terra, pode guardar pistas valiosas sobre a formação do Sistema Solar e até sobre a história do nosso próprio satélite natural.
Lançada em maio de 2025, a Tianwen 2 chegou ao asteroide após uma viagem de cerca de 400 dias e aproximadamente 1 bilhão de quilômetros. A espaçonave agora realiza um estudo detalhado de sua superfície antes de tentar coletar amostras que deverão ser enviadas à Terra em 2027. Se a operação for bem-sucedida, a China se tornará apenas o terceiro país a trazer material de um asteroide para análise em laboratório.
Kamoʻoalewa foi descoberto em 2016 e pertence a uma categoria extremamente rara de objetos conhecidos como quase satélites. Apesar do apelido de “quase lua”, ele não orbita a Terra como a Lua. Na verdade, gira em torno do Sol em uma órbita muito semelhante à do nosso planeta, permanecendo próximo por influência da dinâmica gravitacional entre os dois corpos. Atualmente, apenas um pequeno número de objetos desse tipo é conhecido.
O principal objetivo científico da missão é descobrir a verdadeira origem desse asteroide. Durante anos, pesquisadores levantaram a hipótese de que Kamoʻoalewa pudesse ser um fragmento da Lua, lançado ao espaço após um grande impacto ocorrido há milhões de anos. Estudos mais recentes, no entanto, sugerem que ele também pode ser um asteroide comum pertencente à família Flora, tornando a análise direta de suas amostras essencial para resolver esse debate.
As imagens divulgadas pela missão mostram um objeto muito pequeno, com cerca de 40 metros de diâmetro, formato irregular e rotação extremamente rápida. Essas características tornam a coleta de amostras um desafio técnico considerável, já que a baixa gravidade e a velocidade de rotação dificultam qualquer aproximação da espaçonave à superfície. Por isso, a equipe da missão continuará estudando cuidadosamente o asteroide antes de executar a operação de coleta.
Caso consiga trazer o material para a Terra, a Tianwen 2 poderá oferecer informações inéditas sobre a composição de Kamoʻoalewa, esclarecer sua origem e ajudar cientistas a entender melhor como pequenos corpos evoluem ao longo de bilhões de anos. Os dados também podem contribuir para pesquisas sobre a formação da Lua e o histórico de grandes impactos no Sistema Solar.
A missão não termina com o retorno das amostras. Depois de liberar a cápsula que voltará à Terra, a Tianwen 2 continuará sua jornada rumo ao cometa 311P/PANSTARRS, onde deverá realizar novas observações científicas na próxima década. Com isso, a missão se consolida como um dos projetos de exploração interplanetária mais ambiciosos já conduzidos pelo programa espacial chinês.
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