O relógio marca 17h de uma sexta-feira e, para a maioria das pessoas, esse é o momento de fechar planilhas, silenciar notificações e finalmente deixar o escritório para trás. Em Box Knight, porém, o fim do expediente é justamente quando a verdadeira jornada começa.
O jogo da We Made A Thing Studios transforma a rotina corporativa em uma aventura de ação com estrutura roguelike. No papel de um funcionário que assume a identidade do Cavaleiro da Caixa, o jogador precisa atravessar um prédio tomado por criaturas, enfrentar chefes e subir até a torre da empresa para encarar o CEO.
Uma fantasia para depois do expediente
A ideia parece saída de uma conversa entre colegas depois de uma semana particularmente ruim. Só que, em vez de ficar apenas na brincadeira, o estúdio constrói uma experiência jogável em torno dela. O escritório vira uma masmorra, os funcionários se transformam em monstros e a frustração profissional encontra uma saída na forma de espadas, golpes especiais e execuções exageradas.

Box Knight não pretende reinventar o roguelike de ação. Sua aposta está na personalidade, no humor e na capacidade de apresentar uma fórmula conhecida sob uma perspectiva bastante peculiar.
A aventura utiliza os elementos do mundo corporativo como versões caricatas de uma fantasia medieval. O jogador atravessa departamentos no lugar de reinos, encara supervisores monstruosos no lugar de guardiões e recebe bebidas para colegas necessitados enquanto abre caminho pela empresa.

É uma narrativa simples, mas que cumpre bem sua função. Box Knight não se preocupa em criar uma mitologia extensa ou desenvolver personagens com grande profundidade. A história existe para sustentar o humor e conduzir o jogador até o próximo combate.
Cada sala é uma nova tentativa
A estrutura de Box Knight é baseada no ciclo clássico dos roguelikes. O prédio é dividido em andares e salas, com encontros, recompensas e melhorias que podem mudar de uma partida para outra. Dessa forma, o caminho até o CEO nunca é completamente previsível.

Ao entrar em uma área, o jogador precisa lidar com grupos de inimigos antes de seguir adiante. Quando a sala é liberada, surgem recompensas que podem fortalecer o personagem durante aquela tentativa. A escolha feita entre uma melhoria e outra ajuda a definir o estilo da partida.
Uma combinação pode privilegiar dano e ataques diretos. Outra pode favorecer velocidade, resistência ou habilidades especiais. O sistema não possui a complexidade de um RPG tradicional, mas oferece espaço suficiente para experimentar diferentes possibilidades.

Essa variedade é importante porque Box Knight depende da repetição. O jogador vai morrer, voltar ao início e enfrentar novamente uma parte do escritório. A motivação para continuar está em testar uma nova combinação, superar um inimigo que antes parecia difícil e chegar um pouco mais longe.
Embora a temática seja o principal chamariz, é o combate que sustenta Box Knight. O jogo apresenta confrontos velozes, com armas, ataques especiais e execuções que transformam os inimigos em uma mistura de ameaça e piada visual.

Os controles são fáceis de entender. O desafio não está em executar sequências complicadas, mas em saber quando atacar, recuar e mudar de posição. O jogador que simplesmente aperta o botão de ataque sem observar a arena logo será cercado.
Cada inimigo apresenta um comportamento próprio. Alguns exigem ataques específicos, outros possuem pontos fracos relacionados à posição do personagem e há criaturas que punem uma aproximação descuidada. Existem adversários que não podem ser atingidos de cima, inimigos que precisam ser enfrentados com armas perfurantes e monstros que explodem quando o jogador pula sobre eles.
Papelão com identidade
A direção de arte é provavelmente o elemento que mais chama atenção em Box Knight. O visual colorido e cartunesco transforma armaduras de papelão, objetos de escritório e monstros deformados em uma linguagem visual coesa. O protagonista não precisa de uma armadura metálica detalhada para parecer um herói. O papelão é justamente o que define sua identidade. É uma escolha simples, mas que resume a proposta do jogo, colocando uma figura improvisada no centro de uma aventura que trata um prédio comercial como um reino amaldiçoado.

Os cenários também aproveitam bem o contraste. Computadores, mesas, divisórias e salas de reunião deixam de ser parte de uma paisagem sem graça e passam a funcionar como obstáculos, arenas e elementos de exploração. A familiaridade do escritório torna a transformação ainda mais engraçada.
Os inimigos são caricaturas dos colegas menos agradáveis que alguém poderia encontrar em uma empresa. Seus designs combinam formas grotescas com cores vibrantes, fazendo com que sejam divertidos de observar mesmo quando estão atacando o jogador.

A trilha sonora segue o mesmo caminho. A música dá um tom épico a situações banais e reforça a paródia de aventuras medievais. Os efeitos de impacto, os sons das execuções e as reações dos inimigos completam a atmosfera de desenho animado violento.
No fim, a We Made A Thing Studios entrega uma estreia simpática. Box Knight não transforma o gênero, mas encontra uma identidade própria ao colocar um guerreiro de papelão contra monstros de escritório. Para quem procura uma aventura independente criativa, com pancadaria rápida, humor absurdo e partidas que cabem na rotina, essa pode ser uma boa maneira de encerrar a semana.
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Nota final: 5/5
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