A nova pesquisa sobre Marte revelou algo inesperado escondido no interior do planeta. Cientistas encontraram evidências de uma enorme diferença de temperatura entre os dois hemisférios do planeta vermelho. A região sul pode ser entre 200 e 400 graus Celsius mais quente do que a parte norte.
A descoberta não foi feita medindo diretamente a temperatura no subsolo. Os pesquisadores analisaram pequenas variações no campo gravitacional de Marte provocadas pelas forças de maré ao longo das estações. Para isso, foram utilizados dados de rastreamento de três sondas que orbitaram o planeta durante anos.
O resultado aponta para uma anomalia térmica preservada no manto abaixo das terras altas do hemisfério sul. Essa área também apresenta uma característica geológica muito diferente da encontrada no norte. O sul de Marte é mais elevado, antigo e cheio de crateras, enquanto o norte possui extensas planícies mais baixas e relativamente lisas.
Os cientistas ainda não sabem exatamente por que essa diferença existe. Uma possibilidade é que correntes de convecção no manto tenham redistribuído o calor de forma desigual. Outra hipótese envolve a espessa crosta do hemisfério sul, que poderia funcionar como uma espécie de isolamento e impedir que parte desse calor escapasse.
A descoberta também pode ajudar a explicar o passado de Marte. Temperaturas maiores no interior podem ter favorecido processos vulcânicos, alterações na crosta e a circulação de água no subsolo. Isso é especialmente interessante porque Marte provavelmente teve condições muito diferentes bilhões de anos atrás, quando possuía ambientes mais favoráveis à presença de água líquida.
Pesquisas independentes publicadas neste ano também indicaram que o interior marciano ainda pode apresentar atividade. Estudos baseados em dados sísmicos encontraram sinais compatíveis com regiões parcialmente fundidas no manto abaixo de Elysium Planitia, sugerindo que Marte pode ser mais ativo internamente do que se imaginava.
A nova anomalia, porém, não significa que exista um gigantesco oceano de magma escondido sob o planeta. O que os dados indicam é uma diferença regional de temperatura no manto. Ainda serão necessárias novas medições para descobrir sua origem e entender há quanto tempo essa estrutura permanece ativa.
O mais interessante é que os pesquisadores conseguiram descobrir detalhes do interior de Marte sem precisar perfurar sua superfície. Ao estudar como a gravidade do planeta muda ao longo do tempo, eles estão conseguindo montar um verdadeiro mapa de seu interior. E esse mapa pode revelar pistas importantes sobre como Marte se formou e como se transformou ao longo de bilhões de anos.
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