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Yon: mangá francês chega ao Brasil com terror psicológico e sobrevivência

Yon, de Camille Broutin, chega ao Brasil como o primeiro mangá publicado pela Editora Nemo, selo do grupo Gutenberg, que até então era mais conhecido por títulos de quadrinhos e literatura gráfica. A edição brasileira foi planejada em quatro volumes, com o primeiro lançado em maio de 2026 e o segundo em setembro deste ano, enquanto os dois finais estão programados para 2027.

A escolha de Yon como título de estreia no segmento de mangás é bastante significativa, pois coloca a Nemo em um nicho em crescimento no país, o dos manfras (termo para manga français), e aposta em uma obra que já vinha sendo destacada na Europa por sua narrativa tensa e visual marcante.

Margot, a solitária que observa o caos de perto

Margot é uma jovem solitária e introspectiva que é enviada para Yon, um internato isolado destinado a reformar garotas consideradas “difíceis” ou instáveis. O que começa como uma rotina de disciplina rígida e isolamento social logo se transforma em um pesadelo psicológico quando um fenômeno misterioso e inexplicável começa a afetar o comportamento das alunas, dividindo-as em facções e revelando segredos sombrios sobre a instituição. Entre o suspense e o terror de sobrevivência, Margot precisa navegar por um labirinto de tensões enquanto tenta descobrir a verdade por trás das paredes de Yon antes que a loucura consuma a todas.

A trama de Yon se desenrola em um internato disciplinar perdido no meio de um deserto de pedras, onde Margot cultiva sua solidão há sete anos, observando de forma estoica as dinâmicas de poder entre as outras alunas. A rotina de repressão e controle é abruptamente interrompida quando uma chuva de pequenas esferas brancas cai sobre o local, acompanhada de um aviso sinistro: quem não deixar o internato ficará preso ali durante todo o “fenômeno”.

Essas bolas aparentemente inofensivas se revelam mortais e desencadeiam uma luta pela sobrevivência que força as estudantes a se reorganizarem em grupos, enquanto a instituição esconde segredos cada vez mais perturbadores sobre sua verdadeira função. A narrativa constrói um clima de tensão crescente, misturando horror psicológico, drama de sobrevivência e questionamentos sobre autoridade, medo e convivência sob pressão extrema.

Margot não é a típica protagonista que chega fazendo barulho e desafiando regras logo de cara. Ela é alguém que aprendeu a sobreviver no silêncio, observando como as outras garotas se comportam, quem manda, quem obedece e quem desaparece sem deixar vestígios. Quando o fenômeno das esferas brancas começa, essa posição de espectadora se torna cada vez mais insustentável, porque o caos não respeita hierarquias antigas e força todo mundo a tomar partido. A construção da personagem funciona como um contraponto interessante ao clima de pânico coletivo, já que a gente acompanha o colapso do internato através dos olhos de alguém que já estava meio desligada do mundo antes mesmo da catástrofe começar.

Camille Broutin: da animação ao manfra

Yon é obra da quadrinista francesa Camille Broutin, publicada originalmente na França pelo selo Combo da editora Dargaud, e marca a estreia da autora no Brasil. Broutin cresceu lendo mangás como Naruto e Death Note e assumiu desde cedo a influência dessas obras em seu desenho, afirmando em entrevista ao Le Monde que começou a desenhar baseada no que consumia, sem nem perceber que estava seguindo a estética dos mangás japoneses.

Antes de Yon, ela já havia trabalhado como desenhista na série Filles Uniques, com roteiro da dupla BeKa, também pela Dargaud, e traz para esta obra uma formação que passa pela animação e por referências que vão de Moebius a Hergé, além do cinema japonês. Yon é seu primeiro trabalho solo e foi pensado como uma tetralogia, com o quarto volume previsto para o fim de 2025 no mercado franco-belga, consolidando a autora como um dos nomes emergentes do chamado “manfra”, ou mangá à francesa.

A aposta da Nemo no mangá francês

A edição brasileiras parecem levar a sério a identidade visual e narrativa da obra, mantendo o formato e o sentido de leitura que aproximam Yon da experiência dos mangás tradicionais, algo que faz sentido considerando as próprias intenções da autora e o modo como a série foi concebida. A decisão de publicar em volumes encadernados com sobrecapa e em papel de qualidade condiz com o tom mais maduro e cinematográfico da história, que exige um ritmo de leitura cuidadoso para que o suspense e os detalhes visuais funcionem como planejado.

Ao trazer Camille Broutin para o público brasileiro, a Nemo não apenas amplia seu catálogo, mas também sinaliza que está atenta às tendências internacionais de quadrinhos, em que as fronteiras entre mangá e graphic novel estão cada vez mais próximas. Para o leitor brasileiro de cultura geek, Yon chega como uma opção diferente dentro do gênero de terror e suspense, oferecendo uma narrativa que dialoga com a linguagem dos mangás sem deixar de carregar uma sensibilidade europeia em sua construção de atmosfera e personagens.

Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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