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ChatGPT pode criar perfis psicológicos de usuários a partir de conversas, alerta estudo

O ChatGPT está se tornando cada vez mais personalizado. A inteligência artificial consegue lembrar preferências, projetos e informações compartilhadas em conversas anteriores para oferecer respostas mais adaptadas a cada pessoa. Entretanto, essa capacidade também levanta preocupações sobre privacidade.

Um estudo apresentado na conferência internacional The Web Conference 2026 investigou como a memória do chatbot da OpenAI reúne informações pessoais e pode construir uma representação detalhada de seus usuários.

Os pesquisadores chamaram esse fenômeno de retrato algorítmico. A expressão descreve como informações compartilhadas durante conversas aparentemente independentes podem formar um conjunto de dados sobre preferências, interesses, emoções e características pessoais.

Pesquisa identificou milhares de registros de memória

O estudo, intitulado The Algorithmic Self Portrait: Deconstructing Memory in ChatGPT, analisou 2.050 registros de memória obtidos a partir de dados de usuários reais.

O material foi disponibilizado por pessoas que conseguiram cópias de seus históricos de conversas utilizando mecanismos previstos pelas leis europeias de proteção de dados.

Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores. Cerca de 96% dos registros de memória analisados foram criados pelo próprio sistema, sem uma solicitação explícita do usuário para registrar cada informação.

Além disso, 28% continham dados pessoais classificados segundo os critérios do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados da União Europeia. Outros 52% incluíam informações de natureza psicológica, como desejos, intenções, emoções e crenças.

Isso não significa que o ChatGPT tenha acesso irrestrito à vida dos usuários ou consiga descobrir com precisão o que eles pensam. A pesquisa analisou informações registradas pela memória do sistema a partir das interações disponibilizadas.

Os próprios pesquisadores também identificaram situações em que as informações armazenadas dependiam de inferências. Uma preferência pode ser deduzida a partir de uma pergunta, mesmo quando a pessoa não declarou explicitamente que gosta de determinado assunto.

Personalização pode aumentar os riscos à privacidade

A memória tem uma função prática. Ela permite que o ChatGPT mantenha informações relevantes entre conversas, evitando que o usuário precise repetir constantemente suas preferências e seu contexto.

O problema aparece quando essa conveniência envolve informações pessoais que a pessoa não esperava que fossem reunidas ou interpretadas dessa maneira.

Conversas com assistentes de inteligência artificial podem abordar assuntos delicados, como saúde, relacionamentos, situação financeira, trabalho e saúde mental. Quando diferentes informações são combinadas, elas podem oferecer uma visão mais ampla da vida de alguém.

Isso levanta questões sobre transparência, consentimento e controle dos dados. Também existe a preocupação de que interpretações incorretas influenciem respostas futuras.

O estudo não demonstra que essas informações estejam sendo usadas para prejudicar os usuários. Seu objetivo é investigar como a memória funciona e quais riscos podem surgir quando sistemas de inteligência artificial acumulam informações pessoais ao longo do tempo.

Outro ponto importante é que a pesquisa analisou um conjunto limitado de usuários. Portanto, os percentuais encontrados não devem ser interpretados como uma representação de todas as pessoas que utilizam o ChatGPT.

OpenAI atualizou o sistema de memória em 2026

A discussão ganhou importância adicional porque a OpenAI vem ampliando os recursos de memória do ChatGPT.

Em junho de 2026, a empresa anunciou melhorias no sistema de síntese de memória. A proposta é manter informações mais atualizadas e relevantes sobre as preferências, os projetos e as necessidades dos usuários, facilitando a continuidade entre conversas.

A mudança também reforça a importância de entender quais informações são mantidas e como elas influenciam respostas futuras.

Como o sistema evolui, os resultados da pesquisa não devem ser tratados como uma avaliação definitiva de todas as versões atuais da memória do ChatGPT.

Ainda assim, o estudo evidencia um desafio importante para o desenvolvimento da inteligência artificial: oferecer respostas personalizadas sem comprometer a privacidade e a autonomia de quem utiliza a tecnologia.

Como controlar o que o ChatGPT lembra sobre você

O usuário pode revisar e gerenciar os recursos de memória nas configurações do ChatGPT.

Em Configurações, na seção Personalização, é possível acessar os controles de memória disponíveis para a conta. Dependendo da versão e do plano, eles permitem consultar informações armazenadas, corrigir registros e desativar a funcionalidade.

Outra opção é utilizar o Chat Temporário. Segundo a documentação da OpenAI, esse modo não cria memórias nem utiliza as conversas temporárias para aprimorar os modelos da empresa enquanto elas permanecerem nesse formato.

Também existe um controle independente para decidir se as conversas podem ser utilizadas no aprimoramento dos modelos. Ele fica na seção Controles de dados e não deve ser confundido com a configuração de memória.

Essas opções oferecem diferentes níveis de controle, mas é importante lembrar que desativar a memória não exclui automaticamente os históricos anteriores. As informações salvas e as conversas originais podem exigir ações separadas para serem removidas.

A recomendação mais importante continua sendo evitar compartilhar informações extremamente sensíveis sem necessidade. Quanto mais dados pessoais são incluídos nas conversas, maior pode ser a quantidade de informações disponíveis para personalizar respostas futuras.

O desafio da inteligência artificial não é apenas lembrar o que é útil. É também garantir que os usuários compreendam o funcionamento desses recursos e tenham controle efetivo sobre seus próprios dados.

Fontes:

Consultar o estudo no arXiv

Leia o anúncio sobre a evolução da memória

Consultar a documentação sobre memória no ChatGPT

Consultar os controles de dados do ChatGPT

Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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