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O legado de um dos animes mais importantes da história em Akira: Making of da Explosão Criativa

Uma visão aérea de Tóquio. Dezesseis de julho de 1988. Uma explosão que aniquila tudo. … 31 anos depois da Terceira Guerra Mundial. Neo-Tóquio, 2019. Uma cratera gigantesca. … Tudo isto em silêncio. … Assim é a impactante cena de abertura de um dos animes mais importantes da história: Akira.

Pôster original japonês.

Akira estreou nos cinemas japoneses em 16/07/88, mesma data em que ocorre a aniquilação de Tóquio no anime. A obra-prima de Katushiro Otomo teve um impacto tão grande, que o mundo inteiro sentiu. O ocidente, na época com sua visão limitada de que animações era exclusivamente destinadas ao público infantil, tem um choque no momento em que Akira ultrapassa a barreira do arquipélago japonês.

Capa do livro.

É a partir desse impacto que os autores Michelle Le Blanc e Colin Odell escreveram o livro Akira: Making of da Explosão Criativa (DarkSide Books, 2026). Publicado originalmente em 2014 pela British Film Institute (BFI) (com o nome apenas de Akira), fazendo parte da série Clássicos do Cinema BFI, a versão publicada pela DarkSide Books contém textos originais escritos por Eduardo Reginato e Renan Santos (também tradutor da versão original de Le Blanc e Odell).

Pôster da versão em 4K para os cinemas brasileiros.

Importante lembrar que esta matéria é sobre o livro, e não sobre o anime diretamente.

Aspectos abordados

O texto original de Michelle Le Blanc e Colin Odell está organizado em uma introdução e 4 capítulos: 1) Temas (Quando o futuro ecoa o apocalipse do passado); 2) Produção (Controle total: a obsessão de Otomo); 3) Influências e legado (Kaneda, Tetsuo e o número 28); 4) Outros trabalhos de Katsuhiro Otomo (Como Otomo construiu seu universo).

Páginas internas duplas.

Introdução

Na introdução, os autores delimitam a análise a partir da perspectiva do Ocidente e de seus críticos, abordando a influência de Akira no cinema e resumindo a história do anime. A partir desse panorama, discutem o gênero cyberpunk e a relação entre Kaneda (senpai) e Tetsuo (kohai), além de explicar o papel das crianças e do coronel na narrativa. A análise também destaca Neo-Tóquio como uma importante personagem, articulando a abordagem da cidade com a desigualdade social e a batalha dos motoqueiros.

Temas (Quando o futuro ecoa o apocalipse do passado)

Neste capítulo, os autores abordam a reconstrução como algo natural do Japão e incluem as Olimpíadas nessa discussão. Ao tratar dos temas de Akira, também exploram as questões de poder e controle e o medo da radiação, além de abordar os bosozoku.

Produção (Controle total: a obsessão de Otomo)

Neste capítulo, os autores abordam o Comitê Akira e os aspectos técnicos da produção, destacando os 24 quadros por segundo utilizados no filme, em contraste com os 12 ou 4 quadros por segundo dos animes para TV. A discussão também contempla os rastros luminosos das motos, o uso de 327 cores e a influência de Osamu Tezuka, além da trilha incidental, cuja elaboração levou seis meses. Por fim, o capítulo trata do lançamento em 16 de julho de 1988, mesma data da destruição de Tóquio na narrativa, e das diferenças entre o anime e o mangá.

Páginas internas.

Influências e legado (Kaneda, Tetsuo e o número 28)

Neste capítulo, os autores exploram as influências e o legado do universo Akira. Entre as referências abordadas, destacam: “O menino mágico (Shonen Sarutobi Sasuke, 1959), um conto sobre um garotinho que deixa seu lar para se tornar um ninja.” A análise também aponta muitas semelhanças com Tetsujin 28-Go (Gigantor, no Brasil) e contempla Moebius (Jean Giraud), as influências hollywoodianas e os trabalhos anteriores de Otomo. A partir dessas referências, a discussão se volta ao legado de Akira, examinando sua influência tanto em outros animes quanto em cineastas ocidentais.

Páginas internas.

Outros trabalhos de Katsuhiro Otomo (Como Otomo construiu seu universo)

Neste capítulo, os autores abordam a carreira de Katsuhiro Otomo, incluindo as premiações recebidas ao longo de sua trajetória.

Katsuhiro Otomo.

No coração, a fúria

Esta parte do livro, escrita por Eduardo Reginato, é inédita e original da edição brasileira. Complementa o texto original e aprofunda com uma análise que contextualiza Akira com inúmeras referências a outras obras, bem como uma análise histórica e geopolítica.

Aborda os seguintes temas: Biotecnologia e mutação; As cápsulas; Cyberpunk japonês; Estádio olímpico; Sci-fi japonês; O legado de Akira; O mangá original; Militarismo pós-apocalíptico; Motocicletas futuristas; Movimento estudantil; Neo-Tóquio; Palhaços rivais; Poderes psíquicos; Projeto Akira; Terceira Guerra Mundial; Trilha sonora.

Uma das cenas mais famosas da história da animação. Ficou conhecida como “Akira slide”.
Possivelmente a arte de divulgação mais famosa de Akira.

Locadora Akira

Nesta parte final do livro, Renan Santos (que também é tradutor do texto original de Michelle Le Blanc e Colin Odell), apresenta uma série de textos sobre obras relacionadas a Akira.

Obras abordadas: 2001: Uma Odisseia no Espaço; A Viagem de Chihiro; Blade Runner; Neon Genesis Evangelion; Gen Pés Descalços; Ghost in the Shell; Metrópolis; Nausicaä do Vale do Vento; Neuromancer; Túmulo dos Vagalumes; Olimpíadas de Tóquio.

Autores

Michelle Le Blanc e Colin Odell são um casal de escritores, críticos de cinema e apresentadores britânicos. Especializados em cinema asiático, animação e filmes de horror. Ambos escrevem para o site da Kamera Books desde 2001 e também colaboraram com a The Greenwood Encyclopedia of Science Fiction and Fantasy (2005).

Foram indicados ao Prêmio BSFA (British Science Fiction Association) em 2001 na categoria de Melhor Não-Ficção Longa (Best Long Non-Fiction) pelo livro Tim Burton (publicado pela The Pocket Essentials).

Demais obras:

– (2019) Horror Box Office Hits (Science Fiction World).

– (2014) Anime (Kamera Books).

– (2009) Studio Ghibli: The Films of Hayao Miyazaki and Isao Takahata (Kamera Books).

– (2008) Vampire Films (Pocket Essentials).

– (2007) David Lynch (Kamera Books).

– (2001) Horror Films (No Exit Press).

– (2001) Tim Burton (Pocket Essentials).

– (2001) John Carpenter (Pocket Essentials).

Eduardo Reginato, autor, diretor, produtor, roteirista, escritor, crítico, pesquisador, e curador de mostras dedicados ao cinema. Especialista em cinema de horror, fantasia e ficção científica. É formado, mestre e doutorando em Literatura pela Universidade Federal Fluminense, pesquisando cinema e literatura fantástica, de horror e fantasia. Na televisão foi diretor e roteirista do programa Cinema Mundo (2006) do extinto canal Cine Brasil TV e produtor dos programas (Re)corte Cultural e Arte com Sérgio Britto da TVE (atual TV Brasil). Foi um dos curadores das mostras Bertrand Blier e a Comédia da Provocação (2017) na Caixa Cultural SP, Mel Brooks – Banzé no Cinema (2020), Estúdio Hammer – A Fantástica Fábrica de Horror (2021) no CCBB, entre outras. Foi produtor das mostras O Cinema Total de David Lean (2015), Syberberg, um filme da Alemanha (2016), Aventura Antonioni (2017), Scorsese (2019), Fellini, il Maestro (2020). Também curador de mostras dedicadas a cineastas como Terry Gilliam, Mel Brooks e Frank Capra.

Tradução:

Renan Santos (também autor).

Reflexões finais

Akira retornou aos cinemas brasileiros em 27 de agosto de 2026 em uma versão remasterizada em 4K, com distribuição da Sato Company, em comemoração aos 35 anos da primeira exibição do filme no Brasil (ocorrida em agosto de 1991).

Uma merecida comemoração no Brasil, cujo lançamento do livro Akira: Making of da Explosão Criativa, pela DarkSide Books, entra em sintonia. Sintonia não só pelo timing, como por todo o texto adicional, que torna a edição brasileira especial. A capa do livro apresenta apenas dois autores, mas na prática ele foi escrito por quatro autores. É quase como se fosse dois livros em um.

A verdade é que o texto inédito de Eduardo Reginato é bem mais interessante do que o texto original de Michelle Le Blanc e Colin Odell. Não que estes não escrevam bem. Seu texto investiga o anime, suas referências e criação, de forma dinâmica e fluida. Mas o texto de Eduardo Reginato é muito mais rico, com inúmeras referências de outras obras correlacionadas de Akira, explicando de que forma estão correlacionadas, bem como uma análise dentro de contextos históricos e geopolíticos. Tudo isto dentro de um texto que além de dinâmico, é intenso!

O mesmo não pode se dizer da parte Locadora Akira, de Renan Santos. Essa seção apresenta uma série de textos de obras que tem alguma relação com Akira. O texto de para cada obra é muito enxuto, e não menciona qual a relação entre a obra e Akira. No fim, é uma seção interessante, mas nada além disso.

De uma forma geral, o livro esmiuça e analisa os vários aspectos pelos quais Akira pode ser abordado. Sua escrita e organização interna refletem a grandeza da obra-prima de Katsuhiro Otomo. Ao folhear as páginas e ir acompanhando com cenas do anime, o leitor sentirá que cada frase lida traz à tona as memórias de uma obra que se tornou marcante na vida de todos que já a assistiram.

Ao assistir a versão comemorativa recentemente nos cinemas, e agora ao ler o livro, algo ficou claro: Akira permanece atemporal.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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