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Milhões de pessoas recorrem à IA no lugar de médicos e recebem conselhos perigosos

O uso de inteligência artificial para buscar orientação médica está crescendo rapidamente nos Estados Unidos. Segundo pesquisas recentes, milhões de pessoas já recorrem a IA e chatbots como ChatGPT antes de consultar um profissional de saúde e, em muitos casos, deixam de procurar um médico após a resposta da IA. O comportamento acende um alerta entre especialistas, especialmente por causa da qualidade e dos riscos desse tipo de conselho.

Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open avaliou o desempenho de 21 modelos avançados de linguagem ao tentar “agir como médicos” diante de sintomas comuns. Os resultados foram preocupantes. Quando os quadros clínicos eram ambíguos, os sistemas erraram em mais de 80% dos casos. Mesmo em situações mais claras, com exames e dados adicionais, as falhas ainda chegaram a cerca de 40%.

Os pesquisadores explicam que esses modelos costumam chegar rápido demais a uma única conclusão, sem considerar diagnósticos alternativos, algo fundamental na prática médica. Segundo os autores do estudo, esse tipo de limitação mostra que a IA ainda não está pronta para uso clínico sem supervisão humana, apesar dos avanços recentes na tecnologia.

O cenário se torna ainda mais delicado quando os dados são colocados em contexto social. Uma pesquisa do West Health Gallup Center on Healthcare in America revelou que um em cada quatro adultos nos Estados Unidos já usou IA para obter informações ou conselhos sobre saúde. Isso representa cerca de 66 milhões de pessoas. Parte desse grupo relatou que, após conversar com um chatbot, simplesmente deixou de buscar atendimento médico tradicional.

As razões para essa escolha variam. Muitos entrevistados afirmaram buscar respostas rápidas, mais informações ou apenas curiosidade sobre o que a IA diria. Outros apontaram barreiras como custo de consultas, falta de tempo ou dificuldade de acesso a serviços de saúde. Em alguns casos, a IA passa a funcionar como substituta, e não apenas complemento, da orientação médica.

Especialistas alertam que conselhos médicos incorretos podem ter consequências graves. Um chatbot que minimiza sintomas, sugere tratamentos inadequados ou ignora sinais de alerta pode atrasar diagnósticos importantes e colocar vidas em risco. Mesmo quando a intenção é apenas informar, a confiança excessiva nesses sistemas pode criar uma falsa sensação de segurança.

O consenso entre pesquisadores é claro. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para educação em saúde ou apoio ao paciente, mas não deve substituir médicos. Até que esses sistemas atinjam um nível muito maior de precisão e responsabilidade, o uso da IA para decisões médicas sem acompanhamento profissional segue sendo um risco real e crescente.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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