O cinema de ação dos anos 80 consolidou Arnold Schwarzenegger como uma das maiores estrelas do planeta. Entre os seus sucessos, o filme “O Sobrevivente” (The Running Man) destaca-se até hoje na memória do público.
No entanto, ao celebrar mais um aniversário de lançamento, um detalhe histórico chama a atenção: o filme mudou radicalmente o sentido da história que o inspirou.
Lançado originalmente em 1987, o filme baseia-se num livro escrito por Stephen King sob o pseudónimo de Richard Bachman.
Enquanto a obra literária era um suspense psicológico sombrio e um comentário social pesado sobre a pobreza e o desespero, a adaptação cinematográfica transformou-se num espetáculo de ação futurista colorido e vibrante.
No livro de King, o protagonista Ben Richards é um homem comum, magro e desesperado que entra num programa de televisão mortal para conseguir dinheiro para tratar a filha doente.
Já na versão para os cinemas, Schwarzenegger interpreta um militar musculoso e injustiçado que luta pela liberdade num cenário que lembra muito mais um videojogo ou um programa de luta livre.
Essa mudança de tom fez com que o filme perdesse a crítica social profunda presente no texto original. Stephen King explorava como a comunicação social manipulava as massas através da violência real.
O filme, por outro lado, focou-se no entretenimento puro, com vilões espalhafatosos e frases de efeito que se tornaram marca registada do ator austríaco.
Apesar de ter “errado o alvo” em relação à mensagem original do autor, o filme tornou-se um clássico cult.
A estética neon, a crítica à televisão e as cenas de ação exageradas garantiram o seu lugar na história da ficção científica.
Curiosamente, a ideia de reality shows onde pessoas competem sob pressão extrema, presente no filme, acabou por se tornar uma previsão assustadora da cultura atual.
Atualmente, Hollywood prepara uma nova adaptação da obra, prometendo ser muito mais fiel ao livro de Stephen King do que o filme de 1987.
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