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O Homem Eterno: uma delicada narrativa sobre a passagem do tempo

A percepção que temos da passagem do tempo se altera ao longo da vida. O que aconteceria com essa percepção se parássemos de envelhecer? Em O Homem Eterno (2025), Phellip Willian e Eduardo Ribas trazem uma delicada narrativa sobre a passagem do tempo.

O Homem Eterno apresenta um pequeno recorte na vida de um homem que não envelhece. Ele parte para investigar uma rara flor em uma fazenda do interior de Minas Gerais, sem saber que os acontecimentos daquela noite poderão mudar sua vida para sempre.

Esta é a quinta obra em parceria da dupla.

Animais que não envelhecem

Há animais que podem ser considerados biologicamente imortais. Não envelhecem e, portanto, não morrerão em consequência de velhice.

Planária. É um invertebrado platelminto que se encontra em todo o mundo e tem uma capacidade ilimitada de regenerar células-tronco. As que se reproduzem de forma assexuada são capazes de “rejuvenescer” seu DNA.

Hidra. É um invertebrado de água doce com um corpo tubular e tentáculos ao redor da boca. Todo o corpo de uma hidra parece ser composto de células-tronco que elas podem autorrenovar indefinidamente.

Turritopsis dohrnii. Um água-viva que vive em águas marinhas. Ela pode reiniciar seu ciclo de vida. Quando sofre estresse, regride para uma fase de desenvolvimento anterior.

Análise dos elementos que constituem a obra

Roteiro: O roteiro tem um ritmo tranquilo, alternado entre as reflexões internas do personagem e suas interações com outros. Há um tom poético que perpassa toda a obra.

Arte: A arte reflete o olhar poético do roteiro com um traço delicado e sensível. A ilustração dos seres humanos faz uso de linhas mais densas, acentuando o aspecto ativo do roteiro. Enquanto a ilustração do ambiente utiliza linhas mais suaves, muitas vezes com pontilhados, ressaltando o aspecto contemplativo do roteiro.

Autores

Phellip Willian, concepção e roteiro. É um escritor e roteirista de quadrinhos brasileiro. Graduou-se em Letras/Inglês pela UEPG e é mestre em Linguagem, Identidade e Subjetividade pela mesma instituição. Atua como pesquisador de linguagens iconoverbais, principalmente quadrinhos.

Prêmios

– Prêmio Angelo Agostini na categoria de melhor lançamento independente por Saudade (2019).

– Prêmio HQMix por Saudade (2019).

Outras obras de Phellip Willian

– Saudade (2018).

– Uma Nuvem no Seu Oliveira (2021).

– E o mar me trouxe até aqui (2022).

– Big Hug (2022).

– Calmaria (2022).

– O urso e o eco (Thomas Nelson Brasil, 2022).

– Quando meu sorvete cai (Thomas Nelson Brasil, 2022).

– Um tantão de desafeto (Thomas Nelson Brasil, 2022).

– Um ponto no infinito (2023).

– De quem é a coroa? (Thomas Nelson Brasil, 2023).

– O Pequeno Restaurante de comidas escandalosas (HarperKids, 2024).

– Dia de presente! (Thomas Nelson Brasil, 2024).

– Memo Reboot (JBC, 2024).

– Oi, cara de boi (HarperKids, 2025).

– O bom marinheiro (Thomas Nelson Brasil, 2025).

– O Pequeno Restaurante de comidas estapafúrdias (HarperKids, 2025).

– O dia em que Hugo perdeu sua baleia (Thomas Nelson Brasil, 2025).

– Solo (Via Lúdica, 2025).

– Deus, o menino e a árvore (Thomas Nelson Brasil, 2026).

– A fumaça (HarperKids, a ser lançado em 2026).

– O vale da sombra (Thomas Nelson Brasil, a ser lançado em 2026).

Eduardo Ribas, arte e projeto gráfico. É ilustrador, designer e escritor de quadrinhos. É natural de São Vicente, litoral de SP, onde morou até se formar em Publicidade e se mudar para o Rio Grande do Sul. Foi finalista do prêmio HQ Mix com as obras D.I.V.A.S. Brasileiras e Uma Nuvem no Seu Oliveira.

Outras obras de Eduardo Ribas

– O Jogo mais difícil do mundo (2017).

– Três Reis (2018-2019).

– Desconexo (2018).

– Outro lugar (2018).

– Até depois, Amor (2019).

– Bem na fita (2019).

– Segunda-feira eu paro (2019).

– Pagar pra quê, se tem de graça na internet? (2020).

– D.I.V.A.S Brasileiras (2020).

– Uma nuvem no seu Oliveira (2021).

– E o mar me trouxe até aqui (2022).

– Um ponto no infinito (2023).

– Storia (2022 -).

– Memo Reboot (JBC, 2024).

– O Homem Eterno (2025).

– Nada floresceu em 99 (2026).

– Habitat (a sair em 2026).

Reflexões finais

A obra permite ao leitor inúmeras possibilidades de reflexão a respeito da passagem do tempo, da nossa percepção a respeito dessa passagem, e de quais seriam os propósitos de uma vida.

Ao mostrar o personagem principal permanecendo o mesmo, enquanto percebe que o ambiente e a tecnologia ao seu redor mudaram, reflete a própria evolução humana. A evolução de nossa espécie tem o forte componente cultural associado ao biológico. Enquanto a evolução cultural, e tecnológica, tendem a ser rápidas, a evolução biológica é mais lenta.

E com relação a cultura, a obra dá uma ênfase em uma das maiores (talvez a maior) invenção da humanidade: a escrita. A fala “Há muitas pessoas vivas que não estão entre nós, senhor, eu irei, mas algo ficará.” acaba mostrando que, mesmo que o personagem não fosse virtualmente imortal, ele ainda assim teria se imortalizado através de sua escrita. Um artifício que todo Homo sapiens tem a possibilidade de fazer uso para atingir o mesmo feito.

Um dos momentos de impacto ocorre quando o personagem então encontra a flor rara que estava procurando. Neste momento ele diz que perdeu a pesquisa e quis fazer um poema. Neste ponto entra em cena a errônea percepção que a grande maioria do público leigo tende a ter da ciência: a de que há uma impossibilidade de ser poético na forma como a ciência percebe a existência da vida. Desde Charles Darwin e sua famosa frase “There is grandeur in this view of life…” (Há grandeza nessa visão da vida…) até Carl Sagan dizendo que “Somos todos poeira das estrelas”, há todo um contingente de cientistas e divulgadores científicos mostrando que há poesia em uma visão científica da existência. Inclusive, essa visão poética da vida e da existência pela ciência foi transformada em música pela banda Nightwish.

Por fim, a obra transmite belamente a percepção de que a vida é um contínuo. E que nossa percepção do tempo pode ser alterada ao presenciar momentos especiais.

Fica nas entrelinhas a mensagem para o leitor: aproveite o tempo!

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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