A primeira impressão de DragonSword: Awakening é quase inevitável, reconhecendo imediatamente a paleta vibrante, a interface limpa e a promessa de um mundo aberto generoso que segue numa linha próxima à Genshin Impact.
A diferença, porém, é o que faz todo o sentido para quem cansou de banners, energias e gacha, pois o jogo desenvolvido e publicado pela Hound 13 oferece uma experiência completa, com 19 heróis desbloqueáveis apenas jogando, sem microtransações predatórias.
Uma jornada sem gachas
A história coloca você na pele de Lute, um garoto de cabelos dourados que parte rumo a Orbis, o primeiro reino construído pela humanidade, em busca de uma pessoa importante para você. No caminho, ele é arrastado para a vida caótica de um bando de mercenários, liderado pelo extrovertido Johnny e com a presença de Castella, uma elfa, entre outros companheiros estilosos e coloridos.

Conforme o grupo sobe na hierarquia mercenária, uma sacerdotisa local os envolve em um conflito antigo que pode decidir o destino do continente, reacendendo a lenda dos seis heróis que, sessenta anos atrás, enfrentaram um dragão que quase destruiu Orbis.
O jogo apoia sua narrativa em facções com interesses cruzados e personagens com personalidades marcantes, desde uma elfa excêntrica que estuda arqueologia até uma jovem misteriosa que atravessa dimensões. A proposta é que, ao lado desses aliados, Lute possa se tornar a “Espada do Dragão”, o herói destinado a salvar o continente, mas com boas reviravoltas durante a construção da narrativa.

É impossível ignorar que DragonSword: Awakening bebe da mesma fonte de Genshin Impact, com um mundo aberto no estilo anime, progressão de personagens e equipamentos, troca de personagens em tempo real e uma progressão que lembra MMOs. O projeto começou como um gacha coreano, mas a Hound13 decidiu transformar a experiência em um jogo single-player pago, abandonando o free-to-play repleto de microtransações. O resultado é um RPG de ação que mantém certa estrutura familiar, mas entrega todos os 19 personagens sem gastar um centavo além do preço do jogo.
A comparação segue uma progressão, em que você sobe de nível, melhora equipamentos e enfrenta limites de nível intermediários que são liberados conforme avança na história e em missões de rank mercenário. A sensação é de um loop conhecido, mas a ausência de gacha, de banners e de sistemas de energia transforma a experiência em algo mais honesto e menos frustrante, ainda que o grinding de masmorras e raids para materiais continue presente.

O combate é o coração do jogo e a Hound13 aposta em um sistema de tag team que incentiva a troca constante de personagens. Cada um dos 19 heróis traz habilidades que causam status negativos e a estratégia está em criar correntes de condições negativas através de diversos golpes, para depois desencadear combos devastadores com as poderosas habilidades. A mecânica de troca rápida permite que os heróis entrem e saiam da batalha em correntes de combo quase infinitas, criando um ritmo acelerado e visualmente chamativo.
Fluidez numa dança com heróis
A progressão de combate também se apoia em encontros escalonados. Além dos chefes da história, o jogo oferece Caçadas e Raids, com foco em XP e materiais, além do apoio de até dois outros jogadores. Há ainda chefes mundiais que resetam diariamente, garantindo uma pequena variação de conteúdo a cada manhã.

O continente de Orbis é grande, repleto de masmorras, fortalezas e marcos que incentivam a descoberta, fazendo com que a exploração e progressão caminhem juntas. Moinhos de vento, ao serem ativados após a resolução de um puzzle, viram pontos de teletransporte e facilitam a varredura de regiões inteiras. Masmorras, uma vez descobertas, também podem ser acessadas rapidamente e costumam recompensar com dinheiro e materiais de upgrade, tornando-se parte natural do grinding.
As estátuas de deusas funcionam como checkpoints e fontes de cura. Cada uma exige que você encontre alguns pedaços quebrados no ambiente e, quando completas, viram pontos de teletransporte e recarregam a vida do time, com um número limitado de usos que aumenta conforme você encontra mais estátuas.

Os Familiares, criaturas fofas que funcionam como montarias, podem ser invocados quase em qualquer lugar (exceto masmorras), aumentam a velocidade de deslocamento, permitem planar e oferecem habilidades extras, como aceleração no ar ou subida mais rápida. Algumas criaturas são obtidas em desafios e outros via DLC, com uma opção gratuita até o momento para o Abyssal Direwolf, além de diversas customizações cosméticas para os personagens.
A jogabilidade é focada em ação fluida e trocas rápidas, com cada personagem oferecendo um ataque primário, ataque no ar, alguns ataques especiais e habilidades adicionais, que são ativadas quando uma barra de status é quebrada. A composição de time é fundamental, pois danos elementais se acumulam ao longo das lutas e sinergia entre personagens pode transformar um combate difícil em uma sequência estilosa.

Um exemplo prático e disponível logo no início é Aria, que usa uma besta e bombas de fogo, permitindo acumular dano de fogo para ela liberar habilidades extras eficazes contra múltiplos inimigos, enquanto Lute pode focar em dano de atordoamento e curar o time.
Um mundo que respira em anime
A sensação geral é de um combate ágil e recompensador, com variedade de inimigos e chefes que mantêm o frescor ao longo da campanha. Quem gosta de otimizar composições vai encontrar espaço para experimentar, especialmente com 19 heróis disponíveis e a possibilidade de repetir Caçadas em dificuldades maiores para testar builds e sua capacidade em Orbis.

Visualmente, DragonSword: Awakening é deslumbrante. O mundo de Orbis é banhado em cores quidas e vibrantes, com ambientes naturais em tons ricos de azul e verde e personagens que parecem tirados de um anime de alta produção.
A Hound13 construiu um mundo coerente do início ao fim, com uma direção de arte que valoriza a leitura clara do ambiente e a identidade de cada região. A iluminação e a paleta contribuem para uma atmosfera de fantasia acolhedora, mesmo quando a narrativa escala para conflitos épicos.

A trilha sonora acompanha o tom de aventura com uma orquestra clássica de fantasia que realça momentos de exploração e combate, em que a música cumpre seu papel de embalar a jornada sem se tornar intrusiva, mantendo o foco na ação e na descoberta.
Se você gostava do que Genshin Impact oferecia, mas se incomodava com os elementos predatórios de gacha, DragonSword: Awakening surge como uma alternativa consistente e honesta. O jogo é lindo, o combate é divertido, a história tem seu charme e há muito para descobrir em Orbis. A repetição de tarefas pode pesar para quem busca completar tudo, mas, pelo preço pedido, o retorno é generoso e a jornada até o fim da história vale cada minuto.
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Nota final: 4.5/5
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