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Melatonina pode estar ligada a maior risco de insuficiência cardíaca, aponta estudo

A melatonina é conhecida por ajudar a regular o ciclo do sono e se tornou um suplemento bastante popular entre pessoas com dificuldade para dormir. Agora, uma pesquisa acendeu um alerta sobre o uso prolongado da substância e sua possível relação com problemas cardiovasculares.

O estudo analisou registros médicos de mais de 130 mil adultos com insônia acompanhados durante cinco anos. Entre as pessoas que tinham registro de uso de melatonina por pelo menos 12 meses, 4,6% desenvolveram insuficiência cardíaca. No grupo que não utilizava o suplemento, o índice foi de 2,7%. A diferença representa uma associação de aproximadamente 90% maior.

Os pesquisadores também encontraram diferenças importantes em outros indicadores. Pessoas que utilizavam melatonina tiveram maior frequência de hospitalização por insuficiência cardíaca e quase o dobro de mortes por qualquer causa durante o período analisado.

Apesar dos números chamarem atenção, existe uma ressalva importante. O estudo original foi apresentado como um resumo científico em 2025 e não prova que a melatonina provoque insuficiência cardíaca. Pesquisadores destacam que fatores relacionados à própria insônia e às condições de saúde dos pacientes podem influenciar os resultados. Uma análise posterior também apontou justamente esse risco de confusão, conhecido como viés de indicação.

Evidências mais recentes tornam o cenário ainda mais complexo. Uma revisão e meta análise publicada em 2026 reuniu 14 estudos randomizados com 1.027 participantes e encontrou sinais de melhora na variação da fração de ejeção do coração em pessoas que receberam melatonina. Porém, os benefícios não apareceram de forma consistente em todos os indicadores cardiovasculares.

Outra revisão científica publicada este ano destaca que a melatonina possui propriedades antioxidantes e anti inflamatórias e vem sendo estudada como possível complemento em doenças cardiovasculares. Ainda assim, os autores ressaltam que são necessárias pesquisas mais robustas para determinar seus efeitos sobre o coração.

Portanto, a nova preocupação não significa que a melatonina seja comprovadamente perigosa ou que quem utiliza o suplemento deva interromper o consumo imediatamente. O principal ponto é que o uso contínuo ainda não possui respostas definitivas sobre seus efeitos cardiovasculares em longo prazo.

Como a substância é usada principalmente para problemas de sono, especialistas também reforçam a importância de investigar a causa da insônia em vez de depender indefinidamente de suplementos. Para quem utiliza melatonina regularmente, principalmente por longos períodos, conversar com um profissional de saúde pode ser uma decisão mais segura.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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