Geek

Como o anime se tornou popular no Ocidente? A história por trás do fenômeno japonês

O anime não se tornou popular no Ocidente de uma hora para outra. A expansão aconteceu aos poucos, durante várias décadas, até que algumas séries conseguiram transformar a animação japonesa de um produto de nicho em um fenômeno mundial.

Um dos primeiros contatos do público ocidental com o anime aconteceu ainda nos anos 1960. Astro Boy, criado por Osamu Tezuka, começou a ser exibido nos Estados Unidos em 1963. Speed Racer também alcançou o público americano e ajudou a apresentar uma estética diferente daquela predominante nas animações produzidas no Ocidente. (loc.gov)

Durante os anos 1970 e 1980, outras produções japonesas chegaram à televisão ocidental. Muitas delas, porém, eram bastante modificadas. Nomes, diálogos, músicas e até elementos da história podiam ser alterados para se adequar ao público local. Algumas séries também eram vendidas simplesmente como desenhos animados, sem que o público necessariamente soubesse que eram produções japonesas.

Foi nos anos 1980 que o cenário começou a mudar. Produções como Robotech ajudaram a criar comunidades de fãs interessadas especificamente em animações japonesas. Fitas VHS tiveram um papel importante nesse processo, pois permitiram que os espectadores encontrassem obras que dificilmente seriam exibidas na televisão. Ao redor delas surgiram clubes, revistas, convenções e grupos de fãs.

O grande salto, porém, aconteceu nos anos 1990. O mercado ocidental começou a perceber que o anime podia atingir públicos diferentes e contar histórias muito mais variadas do que o estereótipo de desenho infantil fazia parecer.

Dragon Ball Z, Sailor Moon e Pokémon foram fundamentais nessa mudança. No Japão, essas séries já tinham enorme popularidade. No Ocidente, encontraram uma geração que estava cada vez mais acostumada com televisão a cabo, videogames e produtos japoneses.

Nos Estados Unidos, 1998 foi especialmente importante. Dragon Ball Z e Sailor Moon ganharam enorme exposição no bloco Toonami, enquanto Pokémon explodiu na televisão infantil. A combinação de horários estratégicos, dublagem, publicidade e produtos licenciados ajudou a transformar essas produções em fenômenos de massa.

Pokémon teve ainda uma vantagem que poucos outros animes possuíam. A animação fazia parte de uma estratégia muito maior envolvendo videogames, cartas colecionáveis, brinquedos, filmes e outros produtos. O resultado foi uma franquia que não dependia apenas da televisão para conquistar público.

No Brasil, a história teve um caminho próprio. O grande ponto de virada aconteceu em 1994, quando Os Cavaleiros do Zodíaco estreou na Rede Manchete. A série rapidamente virou uma febre entre crianças e adolescentes e abriu espaço para uma nova onda de produções japonesas na televisão brasileira.

O sucesso foi tão grande que outras séries passaram a receber espaço. Sailor Moon, Yu Yu Hakusho, Shurato e Super Campeões ajudaram a consolidar o interesse do público. Pouco depois, Dragon Ball, Pokémon, Digimon e Naruto ampliariam ainda mais esse fenômeno.

Outro fator decisivo foi a própria estrutura das histórias. Diferentemente de muitos desenhos ocidentais voltados principalmente para crianças, vários animes apresentavam personagens que envelheciam, enfrentavam perdas, desenvolviam relacionamentos e carregavam consequências de uma história para outra. Isso fazia com que o público continuasse acompanhando a série por anos.

A estética também ajudou. Olhos grandes, expressões exageradas, cenas de ação elaboradas e personagens visualmente marcantes criaram uma identidade facilmente reconhecível. Mas reduzir o sucesso do anime apenas ao estilo visual seria um erro. A variedade de gêneros foi igualmente importante.

Havia histórias de luta, romance, ficção científica, terror, esportes, fantasia, comédia e drama. Uma pessoa interessada em robôs gigantes podia encontrar Gundam. Quem procurava romance tinha dezenas de opções. Fãs de ação encontravam Dragon Ball, Naruto e One Piece. Essa variedade permitiu que o anime deixasse de ser associado a um único tipo de público.

A internet acelerou ainda mais o processo. Fóruns, sites especializados, downloads e posteriormente serviços de streaming facilitaram o acesso a produções que antes dependiam de televisão, VHS ou DVDs importados. A distância entre o lançamento japonês e o restante do mundo também diminuiu progressivamente.

Hoje, o anime já não precisa ser apresentado ao público ocidental como uma novidade exótica. Séries japonesas disputam espaço diretamente com grandes produções internacionais e podem alcançar espectadores em dezenas de países quase simultaneamente. A distribuição digital também tornou mais fácil acompanhar temporadas completas, filmes e produções que jamais chegariam à televisão aberta.

O fenômeno atual é resultado de décadas de construção. Astro Boy ajudou a abrir a porta. Produções dos anos 1980 criaram comunidades de fãs. Nos anos 1990, Dragon Ball Z, Sailor Moon, Pokémon e Cavaleiros do Zodíaco levaram o anime ao grande público. Depois vieram Naruto, One Piece, Bleach, Attack on Titan, Demon Slayer e tantos outros.

O mais curioso é que o anime deixou de ser visto no Ocidente simplesmente como animação estrangeira. Ele se transformou em uma linguagem própria dentro da cultura pop. E o que começou com algumas séries exibidas em horários específicos acabou criando uma das maiores comunidades de entretenimento do mundo.

Veja mais sobre anime.

Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios