O anúncio da Sony de que deixará de produzir novos jogos em mídia física para o PlayStation a partir de janeiro de 2028 já começou a gerar repercussões no Brasil. A deputada federal Erika Hilton informou que encaminhou uma representação à Secretaria Nacional do Consumidor, a Senacon, pedindo a abertura de uma investigação para analisar possíveis impactos da decisão sobre os direitos dos consumidores brasileiros.
Segundo a parlamentar, a mudança para um ecossistema totalmente digital levanta preocupações sobre questões que vão além da preferência entre discos e downloads.
Um dos principais pontos é que, em grande parte dos casos, jogos digitais não são efetivamente vendidos ao consumidor, mas licenciados.
Isso significa que o acesso ao conteúdo pode ficar sujeito a mudanças de políticas, encerramento de serviços ou acordos comerciais, situação que já gerou controvérsias na indústria nos últimos anos.
A representação também destaca que o fim das mídias físicas pode reduzir direitos tradicionalmente associados à compra de jogos em disco, como a possibilidade de revender, emprestar, trocar ou doar um título.
Além disso, a medida pode enfraquecer o mercado de jogos usados e concentrar ainda mais as vendas nas lojas digitais controladas pelas próprias fabricantes dos consoles.
Outro ponto levantado é a situação dos proprietários do PlayStation 5 com leitor de discos. O modelo continua sendo vendido por um preço superior à versão digital, e muitos consumidores adquiriram o console justamente pela possibilidade de utilizar mídias físicas.
A preocupação é que futuros jogos anunciados para o sistema acabem chegando apenas em formato digital, mesmo com a plataforma tendo sido promovida durante anos como compatível com discos.
A discussão também se aproxima de debates internacionais sobre preservação de jogos e propriedade digital. Nos últimos anos, ganhou força o movimento Stop Killing Games, criado para defender legislações que garantam a preservação de jogos e protejam consumidores contra a perda de acesso a conteúdos adquiridos digitalmente.
O grupo argumenta que os jogadores precisam ter mais garantias sobre o acesso aos produtos pelos quais pagaram, especialmente em um cenário cada vez mais dependente de licenças e serviços online.
Além das questões relacionadas aos consumidores, a parlamentar também chamou atenção para possíveis impactos econômicos.
O encerramento da mídia física pode afetar lojas especializadas, distribuidoras, fabricantes de mídias, empresas de logística e pequenos comerciantes que ainda dependem das vendas de jogos em disco.
A decisão da Sony reflete uma tendência crescente na indústria. Dados recentes da empresa indicam que mais de 80% das vendas de jogos para PlayStation já acontecem em formato digital, um movimento que ajudou a impulsionar a transição para um futuro sem discos.
Ainda assim, o anúncio provocou reações de jogadores, colecionadores e varejistas em vários países, reacendendo o debate sobre propriedade digital, preservação de jogos e os limites do controle exercido pelas grandes plataformas sobre os conteúdos adquiridos pelos usuários.
Até o momento, a Senacon ainda não informou se abrirá um procedimento formal para investigar o caso, e a Sony também não comentou publicamente a iniciativa apresentada pela deputada brasileira.
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