Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve! Assim começou Star Trek em 8 de setembro de 1966, na NBC. Jornada nas Estrelas, como era anteriormente chamado no Brasil, se tornou um fenômeno cultural tão gigantesco ao longo desses 60 anos, que praticamente todos os seus aspectos já foram debatidos. As fontes para encontrar informação de cada minúcia são inúmeras. Aqui quero focar em um aspecto que Star Trek sempre usou com maestria: a ficção-científica como espelho para refletir acerca de nossa própria sociedade.
Atualmente, em 2026, o planeta avança cada vez mais para um colapso ambiental. E apesar desse perigo existencial, a sociedade continua em um cotidiano moldado por uma entidade imaginária que exerce um papel bastante real na vida de todos os Homo sapiens: o dinheiro. A grande maioria das pessoas é escrava de uma existência em que é obrigatório trabalhar para obter dinheiro para poder sobreviver. Fruto de uma escassez de recursos fabricada e/ou inventada.
Pessoas morrem de fome enquanto toneladas de alimento são jogados no lixo. Pessoas dormem nas ruas enquanto prédios inteiros estão desocupados. Pessoas ficam sem acesso ao básico por não terem dinheiro.
Paralelamente a estas, pessoas vivem presas á uma existência onde são obrigadas a trabalhar em qualquer função que as forneça o “fundamental” dinheiro, independentemente de quantas horas diárias ou de quão insatisfatórias sejam essas funções. Gerações inteiras com um potencial perdido. Pois como já disse o Capitão Kirk: “Sem liberdade de escolha, não há criatividade.”
No futuro de Star Trek não há mais dinheiro. É uma sociedade onde os seres humanos têm acesso ao que necessitarem. Todos os indivíduos! Ninguém mais é obrigado a trabalhar. …Neste ponto é provável que muitos dos que estão lendo aqui agora entrem em choque: “Como viver sem a obrigação de trabalhar”?, “O que fazer?”.
Nas falas do Capitão Jean-Luc Picard: “A acumulação de riqueza não é mais a força motriz de nossas vidas. (…) As necessidades materiais não existem mais. (…) Nós trabalhamos para melhorar a nós mesmos e ao resto da humanidade.”
E aí reside um dos grandes “brilhos” de Star Trek… para além de nos fazer refletir e debater inúmeros aspectos deficitários de nossa própria sociedade. Star Trek é um vislumbre de um possível futuro para nossa espécie. Um futuro que pode ser classificado como otimista no momento, mas que pode muito bem ser tornar plausível, a medida que tomamos consciência de que a vida pode ser muito mais do que as autolimitações autodestrutivas existentes no momento.
Podemos (e devemos!) sonhar com um futuro melhor para nossa espécie e para todas as outras espécies. Star Trek ensina que um futuro melhor é um futuro com compaixão e com compreensão. E que é necessária sabedoria para saber quando “As necessidades de muitos sobrepõem-se às necessidades de poucos… Ou a de um só.” Ou quando “As necessidades de um superam as necessidades de muitos”.
O sentimento que fica é o de esperança. Esperança essa refletida na lendária abertura: “O espaço, a fronteira final… Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo, onde nenhum homem jamais esteve.”




